quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

FC Porto 0 x 5 Liverpool | Trivelas & Roscas


Uma das coisas que mais me chateia nestas derrotas cataclísmicas, contra equipas que são melhores do que o FC Porto mas que estão ao alcance do melhor Porto, é o nosso gene da autodestruição. O complexo de inferioridade que nos banaliza e nos transforma em máquinas de guerra com disfunção eréctil. Hei-de ter sempre maior compreensão para desastres como o de Munique, frente a 11 protótipos do futebol quântico, do que para descalabros como o de ontem, em casa, perante um Liverpool claramente superior, mas nunca cinco vezes melhor que o FC Porto. A quebra de ontem deve-se mais à nossa apetência para vestir a pele de cordeiro do que à qualidade lupina dos ingleses. Perdemo-nos nos caprichos da sorte, na incapacidade mental para lidar com a adversidade e na apatia voluntária contra uma equipa que se alimenta precisamente da apatia dos outros. Tenho os ossos frios. Levar cinco secos no nosso próprio ringue não é algo que me aqueça escrever. Mas deixa-me de sangue bem mais azul.


Arranques trocados: O que o FC Porto devia ter feito na primeira parte fez na segunda. E vice-versa. Com o resultado a zeros, um jogo desta natureza pede uma entrada agressiva em campo, mais que não fosse para intimidar o setor mais recuado - e também o mais fraco - do Liverpool e impor algum equilíbrio na balança de estatutos. Não aconteceu. O FC Porto foi traído pela dormência colectiva e pelos erros individuais. Com 0-2 no placard à saída para o intervalo, acreditei que o mais prudente seria fazer controlo de danos e tentar uma abordagem mais cautelosa na segunda metade para tentar, pelo menos, não sofrer e até marcar um golo que não deixasse a eliminatória metastizar. No entanto, o FC Porto optou por um kamikaze desorganizado que expôs a baliza à velocidade do contra-ataque adversário. Diga-se de passagem: tudo correu bem ao Liverpool, numa espécie de Lei de Murphy invertida.

José Sá: Vamos lá encarar o elefante de frente, sem merdas. Sá está longe de ser o grande culpado disto. Mas é evidente que ainda lhe faltam umas paletes de danoninhos para assumir a responsabilidade astronómica que é defender a baliza do FC Porto. O problema de Sá não são as falhas técnicas que tem e que ainda vai a tempo de resolver. É a indisposição psicológica para jogos deste calibre. Para não tremer com a bola nos pés e para não se borrar com um peido de Mané. É a incapacidade para não diferenciar caras, camisolas e salários. As equipas de Champions são um avião com demasiado comandos para o nervo de Sá e o seu suplente, Casillas, tem horas de voo mais do que suficientes para evitar que nos despenhássemos da forma que foi.

Sérgio Conceição: Isto leva-nos ao treinador. Foi sua a decisão de à nona jornada sentar Casillas por acomodação e lançar Sá por respeito aos princípios do grupo. Qualquer aposta arrojada tem riscos. O que importa é o balanço final entre o que se ganha o que se perde com elas. À medida que a época avança e a pressão aumenta, torna-se cada vez mais óbvio que temos o melhor guarda-redes no banco. E se Casillas perdeu o lugar por não estar empenhado, parece-me justo que Sá também possa perder a titularidade por não estar preparado. Já se percebeu a mensagem de Conceição. No FC Porto, joga quem dá mais nos treinos e não quem faz melhor em campo. Uma filosofia educada, mas perigosa e a possivelmente incompatível com os interesses do clube. Sobre a estratégia da partida, estamos conversados. Como ele próprio assumiu no fim, a responsabilidade é dele.


You'll never walk alone: A demonstração de fé dos adeptos depois de terem sofrido a maior humilhação da história europeia do clube foi incrível e será provavelmente recordada como um dos momentos-chave da época quando estivermos todos bêbados em Maio abraçados a malta que não conhecemos. Este é também um manifesto para os que a partir de ontem deixaram de "ligar à bola" ou "já não acompanham muito o Porto este ano". Que esta derrota seja o contraveneno necessário para o neoportismo que se alastra pelo clube. E estabeleça a diferença entre os que são e os que pensam que são. Ontem, meu FC Porto, pedi-te que mostrasses o teu pulsar à Europa. E, na hora mais negra, tu mostraste. You'll never walk alone.


1 comentário :

  1. quem sentou o casillas foi o treinador de gredes que nunca treibnou um gredes a serio, bufou algo para SC e claro SC pros amigos esta la sempore vide fabiano, hernani, sa, layun ate lhe dar com os pes, ....... SC tem a mania e demasiado emotivo a agir e neste jogo nao o preparou devidamente , deve ter dado uns gritos para ver se resultava. O que se passou em alguns jogos por ca poderia quase garantir um descalabro a quyalquer momento, contra o chaves se e marcado o penalti do maxi nao sei o que seria. SC e o grande responsavel pelo descalabro e nao e so por teimar em sa que nesta alçtura e inferior a diogo costa dos Bes, mas a leguas.

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