sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Estórias de embalar: Jagunço e os dois bancos

Era uma vez Jagunço.

Jagunço tinha fama de ladrão, mas não era um gatuno qualquer. Nata fina, larápio de primeira água, figurava entre a elite. Verdadeiro ás da arte da bandidagem, nunca descurava o pormenor e estava sempre um passo à frente da concorrência.

Astuto e perspicaz, Jagunço sabia o segredo do crime perfeito. Palmar às claras. Quem rouba em público, raramente é apanhado. Porque um cavalheiro da ordem, acreditavam as gentes honestas e humildes daquela região, não pode ser ao mesmo tempo um cavaleiro do apocalipse.

Na terra sem lei de Jagunço, havia dois bancos. O Banco Bom e o Banco Mau. No primeiro, Jagunço tinha conta. O segundo, Jagunço não tinha em conta.

Por isso, o Banco Mau era o alvo predilecto de Jagunço. Quanto mais o pilhava, mais vontade tinha de o pilhar. Fim-de-semana sim, fim-de-semana não, lá ia mais um saque. Um dia, até o telhado levaram. Era um brinquedo nas mãos de Jagunço, o Banco Mau.

Tornado patrão da pandilha, Jagunço há muito que já não fazia. Mandava fazer.

Encomendava os golpes aos seus mais fiéis capos. Um deles, o canalha benjamim, meliante promissor, chegou a perpetrar dez furtos ao desafortunado banco. Todos eles executados na perfeição.

O jovem trafulha era tão eficaz que Jagunço decidiu elevar-lhe a fasquia. Certo dia, na véspera da enésima investida, Jagunço enviou uma carta ao Banco Mau a anunciar o assalto. Fê-lo pelo vil prazer do rebaixamento alheio. Jagunço não idealizava enxovalho maior do que informar a própria vítima antes do golpe.

Surpreendido, o gerente do Banco Mau preparou-se a si e aos seus. Armou os seus empregados com garra, brio e coragem, chamou alguns reforços e aguardou pelo roubo iminente.

Nesse dia, o Banco Mau venceu. O jovem bandalho foi subjugado e fugiu de mãos a abanar. Prometeu voltar de pistola, o infame. Enquanto celebrava o feito com a sua equipa, o gerente do Banco Mau olhou pela janela e viu um Jagunço perplexo do outro lado da estrada.

Foi a primeira e última vez que alguma vez se falaram:

Diz-me, Jagunço, o que tens tu contra o Banco Mau?

Nada, meu caro. Mas para o Bom continuar a ser bom, o Mau não pode deixar de ser mau.



10 comentários :

  1. Respostas
    1. Jagunço, mesmo.

      Que peça!

      Abraço, mestre Silva.

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    2. Mestre é o Barreiros. Da culinária, diz ele. :) portanto deixa-TE de merdas, que eu tenho idade para ser TEU neto. Ou TEU avô. Uma delas :) TU, ok? Abraco.

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  2. Drax,

    Infelizmente não há meios de o mau deixar de ser mau....

    O que vai acontecer, mais dia menos dia, é mais uma ladroagem corriqueira e, um qualquer dos nossos com a cabeça mais quente e, farto destas artistices, vai um dia na rua e vai-se cruzar com um destes ladrões....
    E tas a imaginar o que vai acontecer...

    E depois vêm as virgens ofendidas... Dizes que somos uns vândalos e bárbaros... Mas só vou ter pena das que caírem no chão.....

    Ta mais que visto que têm que levar um aperto dos grandes!!!!!

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    1. Percebo-te, Xebeu.

      Até se perdeu o cuidado em disfarçar. É tudo às claras e com aviso prévio.

      Mas se estes guerreiros os tiverem no sítio, não há santuário que lhes valha, quanto mais uma capela.

      Abraço.

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  3. A resposta tem que ser dada já amanhã, a partir das 20h45.
    Lá estarei a fazer a minha parte!

    Abraço portista

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    1. Uma boa viagem até Aveiro, perdão, Arouca.

      Que a vitória nos sorria.

      Forte abraço, Lápis.

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  4. @ drax

    b-r-a-v-o!
    (ao texto, bem como aos comentários que se seguiram)

    e acho que estas afrontas só terão fim com um boicote dos nossos às capeladas em causa, em todas as jornadas do campeonato: jogando o suficiente para trazer os três pontos para nossa casa (com ou sem nota artística, que para já é indiferente)

    abr@ço
    Miguel | Tomo III

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    1. Só consegui responder hoje, mas ontem já subscrevia isto.

      Forte abraço, Miguel!

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Comenta com respeito e juízo. Como se estivesses a falar com a tua avó na véspera de Natal.

Saudações Portistas.