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| "Todos são rápidos para julgar e opinar sobre a vida dos outros, mas são cegos e mudos para a vida própria." Felipe |
O que distingue a maioria dos portistas do carnaval que os rodeia é a capacidade de olhar para dentro. Eu, que sou portista por convicção e não de nascimento, sei o que isso é.
No Benfica, já se sabe, o culto é cego. Os benfiquistas defendem o clube como pais defendem o filho bully que rouba a turma e arreia na professora. A culpa nunca é dele, mas dos outros. Sempre.
Já a idiossincrasia sportinguista, sendo mais moderada, anda adulterada por uma espécie de lampionismo agudo que tem contagiado Alvalade à mesma velocidade com que a legionella percorre hospitais. No entanto, não é só na redneckosfera que as bombas rebentam nas mãos dos terroristas morais.
A época arrancou em Agosto. Foi preciso chegar a Novembro para ver o primeiro jogo da época em que o FC Porto sai com saldo positivo da incompetência da equipa de arbitragem. Sim, teríamos perdido pontos na última jornada, em casa, frente ao Belenenses. Mas isso não equilibra nem de perto uma balança que no outro prato tem penalties sonegados contra Estoril, Tondela, Braga, Moreirense e Paços. Lances que só não tiveram influência na classificação porque o FC Porto passou-lhes por cima.
O que ainda é menos justificável é a onda de indignação gerada após a partida no Dragão, prontamente calada pelo karma no dia seguinte, onde o Sporting ganhou um ponto graças a uma actuação desastrosa de Carlos Xistra.
Mais desonesto ainda - e aí entramos no ramo da filha da putice intelectual - é querer associar Fábio Veríssimo ao FC Porto e FC Porto a Fábio Veríssimo, como se viu por aí. Fábio Veríssimo, benfiquista assumido e denunciado, já foi responsável directo por quatro pontos mal atribuídos ao Benfica esta temporada. Nos jogos do seu clube, teve sempre uma invulgar capacidade para descobrir offsides ao milímetro e sem tecnologia. Nos jogos do FC Porto, infelizmente, Veríssimo não aparenta ter o mesmo olho de lince, tendo sido responsável por decisões que podiam ter lesado o clube e desvirtuado a verdade desportiva. Por isso, nem vale a pena tentar perceber a estrutura lógica de um raciocínio absurdo.
O Sporting já percebeu com quem terá de lutar pelo título. Talvez por isso se tenha rendido à hipocrisia habitualmente praticada do outro lado da Segunda Circular. Mas enquanto o mundo debatia os encontrões de Felipe, o Benfica voltou a passar entre os pingos da chuva, beneficiando de uma impunidade que, quando não oferece directamente a vitória, ajuda a construí-la de forma discreta. Pelo meio, o Estado Lampiânico aproveitou para adensar a cortina de fumo que tem camuflado a verdadeira Liga Vale Tudo: a que corre nos relvados e bancadas por onde a passa a caravana encarnada.
Sabemos que o Benfica não gosta de Felipe Augusto. O que é compreensível para quem tem Filipe Augusto.

